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Sequelas




Ando muito angustiada, esquecendo as coisas e muito preocupada, estou revivendo traumas que estão abalando o meu psicológico, meu marido Raphael tem me ajudado muito, cuidando do nosso filho, ajudando com a casa, sendo muito compreensível, mesmo sem saber a real condição que explicaria o meu comportamento nas últimos meses, a algumas semanas descobrimos que estamos grávidos, e isso é motivo de muito alegria ao nosso lar, mesmo que eu não consiga expressar a felicidade em gerar novamente uma nova vida dentro de mim, eu me sinto muito feliz, só não esperava que junto com a gravidez eu fosse gestar problemas psicológicos emocionais, tão fortes, que me fazem reviver momentos traumáticos que eu gostaria de apagar da minha vida. Parece confuso? (relembre aqui) realmente estou muito confusa e tentando montar um quebrar cabeça emocional dentro de mim.



A notícia da gravidez me transportou a um momento que eu me vi muito vulnerável, que eu sofri sozinha e calada, mesmo recebendo o apoio da minha família eles não conheciam os sentimentos mais íntimos do meu coração que estava em pedaços, fraco e sem razão pra insistir em bater, essa gravidez me trouxe a lembrança de um filho que perdi no mesmo período gestacional de aproximadamente 8 semanas, resgatando em mim a sensação de inépcia e fraqueza em que me afundo agora. Penso nele vez em quando, fico sem voz, meu corpo estremece e o meu coração acelera feito um carro desgovernado sem rumo, uma lágrima se atira dos meus olhos como que em um precipício, um suicídio, enquanto miro o infinito pensando no "se" "e se..." "mas se..." te imaginando tocar o meu rosto e sua vozinha massageando o meu orgulho de mãe, de vez em quando eu choro, por não te ter, por não te amar, por não suportar a sua falta, por não me sentir merecedora dessa nova alegria, essa nova felicidade que cresce dentro de mim. Deposito em meu filho Arthur todo o amor e dedicação de uma mãe a seu filho, amor dobrado, amor abortado, amor incondicional. A esse filho que nem chegou a nascer dediquei a minha primeira obra "Se eu morrer jovem" uma dedicatória que se expressa com as seguintes palavras "Dedico esse livro a sonho abortado" a você que filho que como uma andorinha se foi e nem me deixou alcançar, mas que vez em quando, está junto a mim.


           


... Vai ser difícil sem você porque você está comigo o tempo todo, e quando eu vejo o mar, existe algo que diz, que a vida continua e se entregar é uma bobagem, já que você não está aqui o que posso fazer? É cuidar de mim ...


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